quinta-feira, maio 30, 2019
Liga Europa em silêncio na TV
quinta-feira, outubro 04, 2018
Cristiano Ronaldo fora da selecção
Nem o jogador se pode esconder por trás do véu mediático de que dispõe nos média e redes virtuais, tal como afirma Henrique Raposo no Expresso diário.
Nunca fui apaniguado da figura, quer seja pela forma de jogar, quer seja pela relação com a sociedade. No caso, parece que o dinheiro paga tudo: museus, hotéis, o disfarce da solidariedade etc. Também os impostos devidos em Espanha foram desmentidos, mas acabaram por ser pagos.
Agora, vamos ver se a acusação são fake news. Alguém acredita?
sexta-feira, janeiro 10, 2014
Êxtase coletivo
terça-feira, janeiro 07, 2014
Eusébio e o natal
O campeonato do mundo de futebol, em Inglaterra, já lá ia há muito. Todos se lembravam do jogo contra a Coreia, que Portugal tinha ganho por cinco a três, depois de estar a perder por três bolas a zero. E do Eusébio, que marcava os golos e imediatamente retirava a bola do fundo das redes. A televisão era a preto e branco nessa altura. E o país também, muito mais preto do que branco.
terça-feira, novembro 10, 2009
Uma jogada de mestre
segunda-feira, novembro 02, 2009
As arengas da bola
terça-feira, dezembro 09, 2008
Benfica
sexta-feira, outubro 03, 2008
Treinador de Bancada #16
Como ser patriota hoje em dia
Ser patriota tem muito que se lhe diga. Ninguém já acredita (ou acredita?) que se trata de uma identidade nacional que nasce connosco e se inscreve na pele para toda a vida, (como aqueles números de prisioneiro nos campos de concentração nazis). Se eu me lembrar de que, no tempo da escola fascista, os manuais inculcavam essa ideia – que depois os professores as faziam cumprir a cantar o hino e de braço esticado conforme a cartilha nazi – então a repugnância ainda é maior. Felizmente os meus filhos não estudam por essa ideologia. Mas se há campo social onde esta questão do patriotismo se coloca com maior intensidade é no futebol, esse jogo epidérmico e emotivo que nos sai dos poros das pernas. Se olharmos para a selecção da “pátria”, a coisa torna-se mais aguda ainda. Toda a gente se lembra do Euro 2004 e não é só pelo descalabro financeiro da construção dos estádios, ou do 2º lugar que muita gente comemorou mas que foi a vergonha perante os discípulos de Sócrates (o filósofo grego, claro). Para esses ser patriota era isso mesmo: cantar o hino, encher-se de pinturas ameríndias ou carnavalescas, suar as estopinhas aos gritos ao árbitro e, sobretudo, andar de bandeirinha nacional em tudo o que é sítio: no assento do carro, no pescoço e nas costas, à janela; e até em locais mais prosaicos, como pô-la debaixo do rabo, ou a atapetar o chão da casa. Felizmente, para outros patriotas, as bandeiras não eram portuguesas nem tinham sido feitas em Portugal, mas num país distante e comunista (oh diabo!) como a China. Em vez de castelos tinham pagodes (lembram-se?) e as mãos que as coseram eram de meninos pobres ou mulheres pagas com uma tigela de arroz. Mas que importa isso, pá? Deixem-me mas é honrar a bandeira e a pátria.
O nosso vizinho escritor Javier Marías afirmava, numa crónica em 1994, que não estaria nesse ano com a sua selecção, a espanhola. A razão era que não queria ser patriota e apoiá-la só porque sim. E manifestava-se contra o treinador desse tempo e desfavorável às suas escolhas técnico-tácticas (como se verifica aqui, todos nós sabemos muito de futebol e aprendemos imenso com os comentadores encartados). Não sei se neste ano o escritor apoiou a sua selecção. Como ele acerta sempre, presumo que sim, pois a Espanha ganhou o Euro 2008; e não precisou de jogá-lo no seu país.
É claro que o primeiro tipo de patriotas apoia a sua selecção sem pensar naquilo que ela significa. Não lhes interessa o treinador, os jogadores, ou o que quer que seja, mas apenas aquele corpus verde-rubro, com uma manchinha amarela. Depois é só pontapé prá frente. Pois a mim, que não sou patriota, o que interessa é que a selecção seja dirigida, treinada e jogada por gente séria, inteligente e afável. Aceito que ainda existe por aí muita gente que dá excelentes pontapés na bola, e também excelentes pontapés na gramática. Ou noutras coisas, como a educação, a honestidade e por aí adiante. Mas não esperem que eu agora fale disso. Por todas as razões que venho enunciando nunca aceitei o bronco do Scolari como treinador “excelentíssimo”. E enquanto ele esteve por cá, fui farpando o homem onde podia. Sei bem que o que a malta patriota gosta é disso mesmo: um homem que vai pedir as vitórias a uma santa italiana no Brasil, que trata a equipa como uma tropa fandanga dirigida por um sargento, que gosta de mandar os jornalistas à merda. E que no final de tudo isto ainda pergunta: “e o burro sou eu?”. Como diria Grissom (da série CSI Las Vegas), a propósito dos porcos, não confundam o Scolari com os burros, animais inteligentes, educados e dóceis.
Compreende-se que os patriotas de que falo – os que amaram Scolari e agora vêem todos os jogos do Chelsea na liga inglesa – detestem Carlos Queiroz, o actual treinador. Percebe-se facilmente que Queiroz está nos antípodas do anterior seleccionador. Não sou eu que lhe vou apontar qualidades, mas apesar disso concedo e diria uma: Queiroz é educado, mesmo quando fala da confusão com o Sporting. E, sobretudo, sabe que foi ele que trouxe a geração anterior de jogadores até ao cume do futebol internacional. Coisa que Scolari deitou para o lixo (sei que alguns patriotas estão já a dizer que sou ingrato, pois o nosso melhor de sempre foi o 2º lugar europeu, mas não ligo à provocação). Estes patriotas nunca poderão gostar de um homem que se senta calmo num banco, que pensa o jogo entre os manuais e o campo, que responde aos jornalistas de forma contida e pedagógica. Mais: nunca perdoarão o facto de Queiroz ter destruído o séquito do clã scolariano, que tinha Ricardo como ponta de lança, ou de ter mudado os hábitos desleixados e individualistas da equipa.
Eu, como bom não-patriota, o que espero é que Queiroz tenha sorte e faça um bom trabalho, para bem de todos nós, patriotas ou não. Sei que isso é muito difícil, pelo simples facto de os oito anos de Scolari por terras lusas terem deixado a selecção na lama. Não estranhem o peso da expressão, que eu explico: não são os resultados que ficam; o que resta é um conjunto de comportamentos e atitudes (aquilo a que os patriotas chamam mentalidade) erróneas sobre o jogo e a competição. Querem um exemplo? Dou-lho já: Quim, o guarda-redes do Benfica e da selecção – o tal que veio do Europeu lesionado para não ter que aturar o banco eterno – já anda a imitar o Ricardo, nas saídas a bolas cruzadas; e nos frangos também. Vejam como tenho razão. Estes vícios pegam-se. Por isso sempre disse que Queiroz devia era ter ficado junto do seu mentor Ferguson, no United. Mas ele é muito mais patriota do que eu alguma vez serei. Boa sorte, então.
(A Voz de Loulé, 1 Outubro 2008)
sábado, setembro 20, 2008
Treinador de Bancada #15
O TEMPO DOS ATLÉTICOS
Como se sabe, o futebol foi inventado como prática desportiva da burguesia. Apesar de jogado com os pés, a modalidade foi rapidamente aceite, pela beleza dos gestos corporais e pela finura dos toques que os pés permitiam. As famílias inglesas que o criaram e desenvolveram vestiam-se a rigor para o praticar, de casacos tweed e bonés de fazenda. O futebol não passou despercebido aos operários mais jovens que o vislumbravam aquando do caminho para o trabalho e o copiavam dos relvados de jardins aristocráticos. Rapidamente, a apropriação popular deste desporto se desenvolveu, de tal modo que alastrou para o mundo inteiro, tanto nas colónias inglesas como nos países periféricos.
Em Portugal, conhece-se a prática da modalidade desde finais do século XIX, tendo vários clubes sido fundados na altura.
Do clube do meu bairro há pouca história feita. O sítio, na margem direita do rio Arade, entre a cidade de Portimão e a foz do rio na Praia da Rocha, vivia do complexo industrial conserveiro da Júdice Fialho: fábrica, estaleiro, armazéns, doca de atracagem e outros equipamentos. Para que os industriais dispusessem da mão-de-obra a toda a hora, as operárias e operários viviam num bloco rectangular rasteiro, dividido em 21 parcelas de quatro pequenas divisões, cada uma delas para duas famílias, uma média de oito pessoas por casa/parcela.
A este sítio se dedicaram vários topónimos: S. Francisco, por causa do convento seiscentista do brasão portimonense Castelo Branco; Estremal ou Estrumal, por origem em extrema, ou tresmalho (arte de pesca, praticada no rio); mais tarde algumas designações mais cinematográficas, como Chicago City, por exemplo.
O certo é que os criadores do clube decidem fundá-lo com o pomposo nome de Lusitano Atlético Clube Estremalense, também conhecido por LACE. Penso que a dupla designação de “lusitano” e “atlético” teve a ver com a origem dos habitantes do bairro operário, vindos das orlas camponesas da cidade, mas também de diversos pontos do país, como a região saloia de Lisboa, ou a costa litoral de Peniche a Espinho. O que é certo é que no nome ninguém nos batia e quase sempre os adversários o invejavam. E o equipamento também: aquela risca amarela diagonal na camisola vermelha, dava um ar de comendador a cada jogador. E, por causa disto, foram muitos os forâneos de outros bairros da cidade de Portimão, ou mesmo forasteiros, que quiseram vir jogar no Clube, muito antes de Schengen. Até estrangeiros nós tínhamos, pois a partir de meados dos anos 60, com a chegada dos primeiros ingleses, era fácil aliciar jovens para as equipas que participavam nos torneios organizados por nós ou por outros clubes populares da cidade.
Campos não nos faltavam. Havia um, grande, com as medidas adequadas, copiadas a olho do campo do Portimonense Sport Club, o clube de quem mandava na cidade. O outro campo, mais pequeno, era quase sempre para o jogo da malta mais nova, convocada por assobios ou gritos de Tarzan, na versão Weissmüller, muito em voga na altura. Ambos os campos ocupavam áreas baldias do terreno murado do complexo fabril e que a burguesia industrial ia permitindo, como escape das 18 horas diárias de trabalho do proletariado.
Mas o clube da minha terra só reapareceu em grande forma no período pré-revolucionário. Ele foi motivo de muitas reuniões e conversas dos operários militantes e opositores ao regime, ali mesmo na taberna da Ti Gertrudes, onde nos abastecíamos de água para toda a casa, dos primeiros cigarros da adolescência e se vendia vinho, muito vinho, em copos de três e penaltis, como homenagem ao futebol, claro. Eu, que tinha 13 ou 14 anos na altura e que andava nas noites a ler «A Mãe» de Máximo Gorki às escondidas, percebia que algo se passava. Confesso que entendi com mais dificuldade o que era o raio do “samovar” onde os personagens do romance se aqueciam, do que o tema central das conversas no quintal da taberna, com o pretexto de refundar o clube. Os rituais de iniciação e de passagem eram assim: os mais velhos protegiam os mais novos, neste caso dos muitos bufos que cirandavam à volta dos copos ou dos jogos da lerpa e do truque, nas mesas de mármore.
É por estas e por outras que o meu olhar sobre o futebol haverá de partir sempre destas memórias, e de outras que vos contarei.
(A Voz de Loulé, 15 Setembro 2008)
domingo, setembro 14, 2008
Culpas de Caravaggio
O jogo de Portugal (em futebol, é bom que se diga) contra a Dinamarca teve uma primeira parte de assombro: técnica, velocidade, inteligência, sentido colectivo. O que de melhor Queiroz pode oferecer como treinador. Até nos fez esquecer a célebre burrice de Scolari, que eu e muitos outros fomos denunciando contra a corrente. Na segunda parte, apesar dos muitos golos (especialmente os do adversário), lá estávamos nós outra vez com as pechas do conservadorismo no futebol: perdidas, individualismo, rodriguinhos. Nada que preste. Eu bem dizia há tempos: os anos de trabalho (salvo seja) de Scolari deixarão mazelas muito entranhadas e não pensem que até à África do Sul o problema se resolve. Desenganem-se.
quarta-feira, setembro 03, 2008
Treinador de Bancada #14
AS MEMÓRIAS SENTIMENTAIS DA BOLA
Javier Marías é um escritor nosso vizinho. Nascido em 1951, em Madrid, dele são conhecidos em Portugal alguns dos melhores romances escritos em língua castelhana (ou espanhola, se preferirem), como «Todas as Almas» ou «O Homem Sentimental». Para além de um romancista emérito, ele também escreve crónicas sobre futebol. Pelo menos escreveu. De
Para um escritor de crónicas, ou para um treinador de bancada como quer que seja, a leitura de «Selvagens e Sentimentais: Histórias do Futebol», de Javier Marías, é uma tarefa e um prazer incontornáveis. São meia centena de pequenos textos de sabedoria, vício, hooliganismo decente, uma literatura admirável, para a aproximação dos povos. Trata-se de uma “literatura confessional”, pois aqui é impossível não tomar como padrão a memória de infância que todos nós temos, dos relatos radiofónicos ao domingo, dos cromos da bola trocados a peso de ouro e colados com farinha e vinagre nas cadernetas escassas, dos primeiros jogos que vimos com familiares e amigos. Outros tempos, que aqui trarei nas próximas crónicas. Hoje é impossível não recorrermos, nas nossas interpretações, a esses tempos de infância, nos quais construímos o olhar sobre o futebol. E por mais que queiramos ser objectivos, todos sabemos que o nosso olhar de hoje, sobre os tempos de ontem, são definidos pelo que somos e sabemos hoje. O nosso olhar sobre o passado é sempre reinterpretado, uma visão romantizada do que vivemos nesses tempos.
Javier Marías bem tenta recordar-se, e escrever sobre o jogo de caricas que o irmão Fernando montou e dominou nos grandes jogos das tardes de adolescência. Também eu me lembro da construção de autênticos e verdadeiros campos de futebol, em tábuas de madeira encontradas nos baldios dos valados do bairro. Sobre ela colocávamos pregos bem posicionados nos lugares dos jogadores, onze de cada lado do campo, que dividíamos ao meio com lápis e régua. As balizas eram dois pregos maiores, a pequena distância para que não fosse fácil marcar. Também nessa infância portuguesa e mediterrânica, o Vítor “Bagu” se lembrou de apor um bocado de rede de pesca nas balizas. Foi dessa forma que o jogo se tornou mais científico: acabavam as discussões sobre a entrada ou não da bola na baliza. Ah, a bola, o que era a bola? Um botão largo de vestido de mulher que roubávamos às nossas mães, desertificando os vestuários domingueiros, ou uma moeda, ainda mais rara, nesses tempos. Colocado na tábua, o botão, ou a moeda, era só chutar à vez, com a ponta do indicador a fazer pressão no polegar. Havia quem tivesse outros estilos, mais Di Stéfano, ou mais Eusébio. Claro que não havia nunca bolas para o ar, nem golos de cabeça. Torres, ou Vítor Baptista, nem pensar em jogo de cabeça. As caricas, de que Marías fala, também serviam de bola, mas eram muito grandes. O seu serviço era outro, mas isso conto contar em crónica seguinte.
Nestes jogos de simulação, menos de futebol e mais de construção de uma personalidade integrada e coesa, lá estava também o desejo, o vício, a necessidade premente de ganhar sempre. Como no futebol – diz Javier Marías – é preciso vencer sempre uma e outra vez, todas as vezes, porque não há passado na bola. Neste mundo, é sempre o presente que manda, como um condenado à vitória perene. Mais do que a felicidade da vitória passada, o que conta é a angústia de ter de vencer agora. Agora e sempre. É essa angústia que faz do futebol a desgraça que muitas vezes é. Não o facto de ser jogado a pontapé, como Cabrera Infante, escritor cubano, defende. Talvez. Talvez Javier Marías tenha razão, pois “o futebol tem qualquer coisa de inestimável e que não costuma acontecer nas outras ordens da vida: incita ao esquecimento, o que equivale a dizer que nunca incita ao rancor, coisa que só se aprende na idade adulta”.
Em breve falaremos disto.
(A Voz de Loulé, 1 Setembro 2008)
sexta-feira, agosto 01, 2008
Treinador de bancada
OS SUÍÇOS: NA BOLA E NA VIDA
Como referi na crónica anterior, tinha previsto falar-vos dos comentários de Fernando Correia, no Rádio Clube Português, a propósito da competência dos suíços na organização do campeonato europeu de futebol, vulgo Euro 2008. Eu sei que já estão fartos de futebol, agora que se iniciaram os célebres torneios de início de época, ali para os lados de Albufeira ou Vila Real de Santo António. Uma oportunidade para ver os jogadores arrastarem-se na relva, ou no banco, amuados com a expectativa das negociações de novos contratos, ou penalizados pelo treinador.
Mas voltemos a Fernando Correia. Toda a gente conhece aquela voz de sabedoria, de experiência feito, um homem cultivado próximo dos relvados e dos microfones. Há tempo que o respeitamos, nas coisas da bola. Acontece que, há semanas, comentando a capacidade dos suíços na organização do Euro 2008, afirmou que nunca tinha visto nada assim. Aquilo era a falta constante de garrafas de água para refrescar os jornalistas; documentos informativos que nunca chegavam e sempre faltavam; falta de apoio técnico e de informações sucessivas; ausência de gabinetes e de pessoal técnico capaz. Nós não duvidamos do que Fernando Correia diz.
A mim parece-me que, na verdade, os suíços estavam-se marimbando, um pouco é claro, para aquele evento que pouco lhes dizia. Lembro-me de pequenas entrevistas de rua em que, perguntados, os autóctones lá afirmavam: que havia actividades culturais mais interessantes para frequentar; que ligavam pouco ao futebol; e que tinham mais que fazer do que estar horas ocupados à volta de um objecto redondo. Enfim, a gente gosta da bola e percebe que os suíços (para não falar dos austríacos) são gente fria, que vive na neve, rodeados de rios gelados e montanhas cheias de vaquinhas de chocolate. Como podem amar o pontapé na bola? Aliás, os alemães apanham pela mesma bitola. Quando a equipa alemã ganhou a Portugal, o epíteto de “frio” foi a fundamentação teórica dos treinadores de bancada para justificar a vitória germânica. Como se sabe, o frio ganha sempre ao quente. Eu, que estou a escrever esta crónica numa esplanada em Quarteira, fugi do calor da praia para este frio modorrento da sombra.
Bom, mas esta história do jornalista do Rádio Clube Português (boa antena, ouçam!) lembrou-me o capitão Kaspar Glauser-Röist, membro da Guarda Suíça, protector de Sua Santidade o Papa e agente policial ao serviço do Tribunal da Sacra Rota Romana, e personagem do romance histórico de Matilde Asensi «O Último Catão». Li-o, há um ano talvez, mas voltei às suas páginas para perceber como é que seriam os suíços. Frios, distantes, incompetentes, desconhecedores do futebol sério? Talvez. Mas este capitão da história não pode deixar de ser suíço, pois essa nacionalidade “é obrigatória para todos os membros do pequeno exército vaticano”. E ele é inteligente, honesto, cumpridor, sério, afectuoso, misterioso. E no fim, até se torna o último Catão - o Catão CCLVIII - depois de ter superado, com os seus companheiros de romance, as difíceis provas propostas por Dante Alighieri em «A Divina Comédia».
Não é que eu tenha algo quanto ao prestígio da Suíça como país inspirador de trabalho, pois não é verdade que os dados estatísticos provam que é nesse país que os portugueses trabalham mais? Talvez liguem menos ao futebol. Bem, também os vimos, dando a cara às câmaras de televisão durante o Euro 2008. Claro que eram muitos no início e já muito poucos no fim. Pudera! Esta questão levou-me também a procurar notas várias sobre os índices de desenvolvimento da Suíça e o que tinha, ou consultei, deixou-me mais descansado. Ora vejamos.
Um estudo da Unicef, sobre o bem estar das crianças, mostra que a Suíça ocupa a sexta posição no índice da qualidade de vida dos menores (afecto, educação, relação social), enquanto Portugal fica em 17º lugar, num estudo que envolveu 21 países. O nosso só se destaca no campo dos relacionamentos familiares. Nada mau para as nossas boas famílias. A Suíça bate-nos no item relacionamento com amigos, que é muito melhor do que o nosso. O que o estudo mostra, nos seus 40 parâmetros, é que os dados podem ser muito condicionados pelas políticas sociais e educativas dos países. Claro que isto também já se sabe. Portugal pode ser muito bom (o melhor mesmo) a organizar europeus de futebol, mas quanto a políticas educativas e sociais, pois, pois.
Num outro estudo, o PISA/2006 (programa internacional que acompanha os resultados de evolução escolar), também a Suíça se destaca, nas áreas das ciências naturais, da leitura e da matemática. Nos dados globais das três áreas, a sua média é superior à média dos restantes países testados da OCDE. Mas os suíços, com a sua fleuma de apreciadores de futebol alheio, lá vão dizendo que os dados não são tudo, que não se podem comparar estes resultados como se fossem uma prova desportiva, etc, etc.
E esta, hem? Bom, esta reacção tem muito a ver com o facto de a Suíça ser um país de forte imigração (20,2% de estrangeiros), muita dela portuguesa. O trabalho de integração de imigrantes, com diferentes culturas e línguas, não é fácil, mas a Suíça fá-lo, há muitos anos como se sabe. E os resultados estão à vista, mesmo que os suíços não sejam muito competentes na organização de eventos da bola. E os portugueses que o digam.
sábado, junho 28, 2008
quinta-feira, junho 26, 2008
Final
[* termo devido a Vale de Almeida]
quinta-feira, junho 19, 2008
Patridiotas
quarta-feira, junho 18, 2008
Treinador de bancada
RESTRIÇÕES À JUSTIÇA DESPORTIVA
Bom, deixarei para a próxima crónica a propalada questão do “multiculturalismo” da selecção de futebol de Portugal, que parece aproximar uma certa intelectualidade das manifestações nacionalistas do velho império. Por agora, abordarei as demarches da justiça desportiva, que têm sido mais actividade desportiva de juízes do que justiça sobre o desporto.
Já se torna claro que os tempos dos comportamentos trogloditas de dirigentes nos estádios, das ameaças de grunhos do norte contra o sul e vice-versa – que a comunicação expandiu e ampliou –, deixaram de fazer qualquer sentido. Tirando os apaniguados do costume, já ninguém lhes liga. Os tempos são outros e o fair-play não serve só para ostentar nas camisolas. A luta pelo poder trava-se agora noutros campos.
Tudo indica que o FC Porto vai ser impedido de disputar a Liga dos Campeões, pelo facto de estar a ser investigado num processo sobre corrupção desportiva. O facto de ser tricampeão em Portugal não conta para nada, nem deve servir para recurso. Até porque o processo discorre exactamente sobre esses períodos. Por isso, tudo indica que a UEFA não vai voltar atrás com a primeira decisão. Quando esta crónica for lida, já terá reunido a Comissão de Apelação da organização do futebol europeu e já se saberá a deliberação final. Eu aposto no impedimento. Entretanto, se isto se confirmar, o SL Benfica é um dos clubes beneficiados. Tento não usar o meu subconsciente clubístico: o Benfica não deveria necessitar de aproveitar este mecanismo tribunalício para integrar as provas europeias. Foi um mau clube esta época, mas a justiça tem destas coisas; em todas as matérias. Agora dizer (como faz Miguel Sousa Tavares), que o Benfica faz pressão na UEFA a favor de uma decisão favorável, é confundir os leitores. Se a justiça desportiva precisa de provas, as afirmações que se fazem, também.
Apontando, agora, a agulha para outros territórios do desporto e da justiça. A RP da China aprovou um pacote de 57 restrições ao aficionado dos Jogos Olímpicos de Pequim. Como sabem, até a liberdade tem limitações. Foi o que a Revolução Francesa nos legou. O New York Times dá a história toda. Querem conhecer algumas dessas restrições? Aqui vão: i) a concessão de vistos a visitantes será controlada nome a nome; ii) todo o activismo, em nome dos direitos humanos, será punido; esperemos que não a esmagamento de canhão; iii) portadores de doenças sexualmente transmissíveis ou do foro psíquico não terão entrada; por isso veja lá bem; iv) imagens e textos atentatórios da política, economia, ou moral chinesas serão proibidos; de acordo com a cartilha chinesa, claro. A lista é grande e ficaremos por aqui. Provavelmente ela aumentará à medida que os Jogos se aproximam. Como o respeitinho é muito bonito, o Comité Olímpico Internacional nada diz. Ora, ora, quem cala consente.
A China, mais uma vez, mostra que tem o poder discriminatório de impor limitações à liberdade, até agora inauditas noutro qualquer país organizador. Até Hitler foi mais estúpido. Ainda longe do carácter assassino dos anos da guerra, deixou que em 1936, em Berlim, o velocista Jesse Owen lhe mandasse à cara o que significava esse conceito de “raça ariana”. A China é mais polida. Publica, antecipadamente, restrições ao contágio da causa da democracia capitalista de pés de aço, que norteia a sua gestão nos últimos tempos. Uma nova revolução cultural, talvez seja o que nos espera.
(A Voz de Loulé, 15 Junho 2008)
quarta-feira, junho 11, 2008
Justiça desportiva
Tudo indica que o FC Porto vai ser impedido de disputar a Liga dos Campeões, pelo facto de estar a ser investigado num processo sobre corrupção desportiva. O facto de ser tricampeão em Portugal não conta para nada, nem deve servir para recurso. Até porque o processo discorre exactamente sobre esses períodos. Por isso, tudo indica que a UEFA não vai voltar atrás com a primeira decisão. Entretanto, se isto se confirmar, o SL Benfica é um dos clubes beneficiados. Tento não usar o meu subconsciente clubístico: o Benfica não deveria necessitar de aproveitar este mecanismo tribunalício para integrar as provas europeias. Foi um mau clube esta época, mas a justiça tem destas coisas; em todas as matérias. Agora dizer (como faz Miguel Sousa Tavares), que o Benfica faz pressão na UEFA a favor de uma decisão favorável, é confundir os leitores. Se a justiça desportiva precisa de provas, as afirmações que se fazem, também.
quinta-feira, maio 15, 2008
Treinador de Bancada #8
Estava eu descansado, com a crónica já escrita do “Apito Dourado”, quando senão param todas as máquinas. Vinha aí a conferência de imprensa do seleccionador de futebol da equipa das quinas. E logo às 20 horas, horário de abertura de todos os espaços informativos das televisões públicas e privadas. É claro que ninguém ficou de fora, estavam lá todos, julgo eu, que estava em trânsito e limitei-me ao rádio do carro. Mas, pelo que vi depois, ninguém deixou de apresentar em directo e ao vivo, da terra do presidente da Associação Nacional de Municípios, as sábias palavras do presidente da Federação Portuguesa de Futebol e do seu escolhido. A propósito, quem tem olhos na cara e ouvidos bem abertos já percebeu que não reina confiança e esperança na voz embargada e triste do presidente federativo. A ideia de Scolari como salvador da pátria já foi chão que deu uvas. Aliás, não deu uvas nenhumas, como se sabe.
Mas o que levou a tanta emoção nos media nacionais, para que todos estivessem em directo de Viseu? Bem, a resposta é simples: ouvir a lista de 23 jogadores da equipa de Portugal que, na Áustria/Suíça, irão disputar o Europeu de Futebol. Como isto não tem qualquer novidade, os jornalistas fazem da vulgaridade do acto a descoberta do Brasil. E perguntam, rápido e certeiro, pela ordem do sorteio de perguntas na sala: por que razão o Maniche, que foi o melhor marcador das duas campanhas anteriores, não estará nos convocados; para que serve o Helder Postiga, que praticamente não jogou esta época; qual o papel do Ronaldo, se afinal ele não tem a equipa do Manchester em campo, a seu lado; e, finalmente, por que raio continua o Ricardo a ser titular da baliza? Como se percebe, um verdadeiro acto de estado, a conferência de imprensa da Federação Portuguesa de Futebol.
Bom, mas sejamos justos. Lá que houve novidade, houve mesmo. Ficamos a saber que é agora que a disciplina militar vai ser imposta. E, para isso, a equipa não vai ter um, nem dois capitães, mas sim cinco. Ouviram? Cinco! Scolari, grande estudioso da história do Brasil (e, que saibamos, andou a ler recentemente a «Carta a El-Rei D. Manuel sobre o achamento do Brasil», de Pêro Vaz de Caminha), lembrou-se de capitanear a armada com os émulos dos descobridores portugueses. Vai daí, foi só fazer a lista: Gil Eanes, Bartolomeu Dias, Vasco da Gama, Fernão de Magalhães…Só faltava um, para ele o mais importante, aquele que se diz ter descoberto o Brasil. Uma terra que já lá estava, há muito, povoado de índios “pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andavam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma coisa cobrir nem mostrar suas vergonhas”. Foi esta inspiração, plasmada na Carta, que levou Scolari a revelar apenas o nome do capitão-mor da selecção de futebol, de seu nome Ricardo Carvalho. Parece que o próprio nem sabe, ele que lá anda nos relvados do “velho império onde o sol nunca se punha”. Um capitão que, provavelmente, não o quer ser, pois sabe que Colunas não nascem todos os dias.
Bem vistas as coisas, da selecção entenda-se, e olhando as bandeiras chinesas, já muito esfarrapadas, pendentes de janelas e mastros, percebe-se o que nos espera: um movimento de adesão patriótica em torno da equipa de todos nós, uma coesão de valores nacionais entre homens e mulheres, velhos e novos, e ricos e pobres. Só a nossa selecção de futebol poderia conseguir tal feito. Eu até me oferecia para escrever a carta do achamento da Áustria e da Suiça, mas acho melhor não embarcar.
Vou ali jogar à bola com os meus filhos e já volto…
(A Voz de Loulé, 15 Maio 2008)quarta-feira, abril 02, 2008
Treinador de bancada
DO EURO 2004 À LUSITANEA
A derrota da equipa profissional (convém que se diga, não?) de futebol de Portugal contra a Grécia, na passada quarta-feira, recorda-me o Euro 2004. Na altura, a equipa de Portugal perdeu também os dois jogos que disputou contra a equipa de Katsouranis, o carrasco do último jogo. Como se percebe, Scolari tem, na Grécia, uma espada de Dâmocles eterna sobre a sua cabeça. O problema talvez se explique pela distância cultural de Scolari: vindo de um país colonizado 300 anos por Portugal, o treinador de Madaíl apenas solta o seu grito de Ipiranga, mas não chega à civilização de Sócrates e Platão.
Mas o jogo de Dusseldorf poderia ter sido jogado no estádio Algarve, aproveitando as férias da Páscoa e a recente enchente do estádio, na final da Taça da Liga, de nome Calsberg. Já sabem que Páscoa e Algarve são sinónimos, mesmo que a dita seja em Março e chova a cântaros como deve de ser. Isso não impediu o estádio (que representa uma caravela encalhada em seco) encher-se de espectadores, mesmo que muitos com bilhetes oferecidos ou a preços de uva mijona. Como, aliás, deveriam ser sempre os preços. O nome da Taça fez-lhe jus. Como a cerveja Carlsberg já quase não se encontra, que melhor nome para uma prova que teve cerca de 3500 espectadores em média por jogo. Um “número de sucesso” como referiu o presidente da Liga, Hermínio Loureiro.
Também o estádio Algarve é fruto desta estratégia megalómana da visão desportiva do país. Lembro a reportagem do jornal «Público», de Fevereiro de 2006, sobre os estádios do Euro 2004. Nessa peça, da autoria de Manuel Mendes, o estádio do Algarve é referido como um dos “elefantes brancos”: 320.000 euros de receita anual contra 3.200.000 euros de despesas anuais com encargos financeiros e de manutenção. Fazendo as contas, 10 vezes mais despesas do que receitas. Tudo “a cargo” da Associação de Municípios de Faro/Loulé. Explicando: tudo “a cargo” das Câmaras de Faro e de Loulé e, portanto, do erário dos munícipes. Mas nada disso é problema, porque esta visão estratégica vai para além do estádio e suporta um projecto inexistente chamado Parque das Cidades.
O problema é que este problema não está só. Abre-se a caixa de Pandora do Euro 2004 e uma desgraça nunca vem só. O jornal «Expresso», do passado dia 15 de Março, mostra como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) da região Centro, em conúbio com uma associação público-privada e com o apoio das câmaras da região e respectivas regiões de turismo, obteve financiamento de Bruxelas para promover no exterior a imagem do Centro. Tudo sob o belo nome de “Lusitanea”. Uma auditoria, às contas da campanha de 2004, mostra 2,7 milhões de euros de facturas irregulares, 1,9 milhões de euros de débito a Bruxelas e, finalmente, uma notificação das Finanças no valor de 1,6 milhões de euros que ninguém paga. Como calculam, isto são só números. Custa-me tanto escrevê-los aqui como vós, leitores, a lê-los. Simplesmente, trata-se de dinheiros públicos que o Organismo Europeu de Luta Anti-Fraude não consegue recuperar. Como foi isto possível? Fácil. Bastou que Paulo Pereira Coelho fosse à altura (2004) o presidente da CCDR Centro e se nomeasse, também, presidente da Associação para o Desenvolvimento do Turismo da Região Centro, para gerir a campanha que prometeu mundos e fundos. Depois, foi só sair dos dois organismos e integrar o ex-governo de Santana Lopes na Secretaria de Estado da Administração Interna, deixando os fundos e partindo para novos mundos. Agora, os actuais presidentes que paguem as favas.
E nós, satisfeitos com a bola, que é redonda e nunca pára.
(A Voz de Loulé, 1 Abril 2008)domingo, março 02, 2008
Treinador de Bancada 3#
Bom, eu não queria falar de literatura mas a proposta de Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, obriga-me a isso. Então não é que o homem propõe a organização do campeonato do mundo de futebol de 2018, em conjunto por Portugal e Espanha?
Depois de, no ano passado, ter dito que essa era uma “ideia peregrina”, Madaíl colocou agora o país
O Presidente da República também não ficou lá muito contente. Ou esperavam que em tempo de vacas magras ele viesse dizer que sim senhor, nós não temos mais nenhuma prioridade, e não são o novo aeroporto ou o TGV que nos vão tirar o sono ou o ordenado ao fim do mês.
Peço desculpa, mas eu desta vez apoio o presidente da Federação. Devo dizer que ele pensa com estratégia. Vê longe e sabe o que diz. Reflictam comigo: então não vamos ter em Portugal um novo aeroporto, que intensificará a vinda de espanhóis ao território português? O comboio de alta velocidade não pretende ligar-nos a Madrid, com maior rapidez? Não temos já um movimento pendular, para aquisição de bens (sobretudo combustível), para lá das fronteiras, de Vilar Formoso a Ayamonte? Então? Qual o problema de organizarmos um campeonato em conjunto com Espanha, digam? E reparem: são as federações que organizam, mas os governos que pagam. E só irão nisso depois de a ideia ter sido “pensada, projectada, estudada e calculada” (Laurentino Dias, dixit). Ou pensam que o governo se mete assim à toa num evento com a projecção patriótica desta envergadura?
Por falar em patriotismo, eu não sei porque é que tanta gente ainda anda a falar das velhas sagas com Castela, dos Filipes que nos governaram e de outros nacionalismos bem mais serôdios. Já perceberam em que mundo vivem, ou não? Pois é, vamos lá então dar lustro aos estádios, que nessa altura bem precisarão, sobretudo o do Algarve, gasto de tanto ser usado por futebolistas, músicos, gaivotas e cegonhas. Portanto, meus amigos, vamos lá pensar, projectar, estudar e calcular, que é o que os portugueses mais gostam de fazer. E os espanhóis também.
A propósito disto, já perceberam que a parte da literatura, que abordo no princípio da crónica, respeita a outra proposta, tão mal recebida por alguns sectores, os mesmos que também não perceberam o alcance geoestratégico de Madaíl. No verão de 2007, em entrevista ao “Diário de Notícias”, Saramago propõe uma União Ibérica entre os dois países da península. A concretização da tese iberista de «A Jangada de Pedra», o romance que abriu o caminho ao exorcismo de Portugal na ilha de Lanzarote. Madaíl leu a obra e, passadas duas décadas, percebeu claramente a forma de a concretizar no mundo do futebol. Pena é que os dirigentes desportivos de Espanha, e o governo de Zapatero, ainda tenham lido pouco do autor, premiado com o Nobel, que vive no seu país. Porque se o tivessem feito, agora estariam na primeira linha da defesa do mundial de futebol de 2018, nos estádios ibéricos de Portugal e de Espanha. E daqui a uns anos, quem sabe, talvez eu escrevesse uma crónica neste jornal, não sobre os estádios, mas sobre os estados. Os estados actuais de Portugal e de Espanha que, para afirmar a sua identidade comum perante a União Europeia, teriam dado o nó numa nova União Ibérica. E assim, eu já não precisaria de ir a Sevilha, para ver a peça de Saramago “In Nomine Dei” representada em castelhano, ou esperar que, só depois de Lanzarote e antes de Madrid e de Nova Iorque, Lisboa pudesse acolher a exposição sobre os 10 anos de Nobel e os 85 do autor.
Mas enfim, como sabem, estas são palavras para amantes de literatura e detractores de futebol.
(1 Março 2008)