Não é visível, à partida, a relação entre as refeições das cantinas escolares e a autonomia das escolas (ver aqui o artigo de António Nabais no 'Aventar'). O que é certo é que a partir da empresarialização das compras dos alimentos, e da entrega das cantinas a empresas, a autonomia e tudo o que ela consubstancia de proximidade, interrelação escolar e respeito pela economia local, transformou-se no seu oposto, a heteronomia. Quer dizer que tudo é imposto pelo exterior, quer ele seja o município ou as grandes empresas. Por isso, a luta contra a municipalização das escolas é um desiderato de todos aqueles que consideram a defesa da escola pública.
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quinta-feira, outubro 24, 2019
sexta-feira, janeiro 04, 2019
A Degradação do Ensino Superior
Durante uns dias a imprensa
regional e as televisões nacionais deram notícia do professor de química que
ameaçou o diretor da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade
do Algarve, de colocar uma bomba nas instalações da escola, por se sentir
discriminado com a sua situação profissional. As notícias acrescentaram apenas,
por via do seu diretor, que o docente estaria de baixa psiquiátrica. Mais nada!
O que interessava saber, era
se o estado de saúde mental do docente determinou o seu comportamento
atentatório, ou se foram os fenómenos de degradação do ensino superior que contribuíram para o desenlace daquela atitude: a permanente redução e
congelamento salarial, a obrigatoriedade de avaliações burocratizadas, o
imperativo da ‘investigação’ a metro, a proibição de redução de serviço para
cumprimento de graduações sucessivas, o não cumprimento da lei relativamente às
progressões remuneratórias determinadas pela avaliação docente, et cetera, et cetera.
Agora, sabemos que o docente
foi julgado e sancionado com termo de identidade e residência.
Pergunta-se, qual o papel
educativo da universidade neste caso?
[seguem-se os dados de identificação]
Nota: carta enviada para a seção Cartas do jornal Expresso, a 30.11.2018, sujeita a 150 palavras e não publicada
segunda-feira, novembro 05, 2018
Tutores ou polícias nas escolas?
O El País noticiava que o governo francês estuda a possibilidade de colocar polícias nas escolas, após vários incidentes com armas ameaçadoras. Ou mesmo criar estabelecimentos específicos especializados para 'jovens conflituosos'. Pais e estudantes mostram-se contra, claro, considerando que o problema está na educação e não na repressão. O problema não é novo e o artigo dá o exemplo de Espanha, mostrando que a figura do tutor, um agente educativo que nem sempre está na escola mas pode intervir de forma assertiva, tem demonstrado ser eficaz na prevenção da conflitualidade, mas também na prevenção educativa e social.
Há alguns anos atrás o nosso melhor pedagogo nestas matérias, Daniel Sampaio, já tinha proposto a figura do tutor, entre outras medidas, não consideradas nas políticas educativas neoliberais ou economicistas dos vários governos.
quinta-feira, outubro 18, 2018
Condenados a aprender
Na mesa redonda sobre o papel da educação não formal na capacitação dos jovens, defendi a necessidade de encararmos a aprendizagem ao longo da vida como um processo de aprender permanente, no contexto da velha visão da UNESCO, pese embora o complexo social neoliberal desta modernidade. A minha proposta, foi a de encarar a educação não formal como uma modalidade educativa num complexo elástico entre o muito formal e o muito informal, recuperando, assim, o gueto em que se colocou a educação escolar (formal) e resgatando ao mesmo tempo a educação informal, criando, para o efeito, espaços e momentos educativos nas ruas, nas escolas, no trabalho, entre outros.
É preciso, como alguém disse (Almerindo Afonso), repensar a escola a partir do não formal e não o contrário.
É preciso, como alguém disse (Almerindo Afonso), repensar a escola a partir do não formal e não o contrário.
quarta-feira, outubro 17, 2018
Capacitar os jovens?!
A convite da MOJU (Movimento Juvenil em Olhão) fui ontem participar no 'Seminário de boas práticas na intervenção com jovens', na Mesa Redonda sobre a importância da educação não formal na capacitação dos jovens. Lá encontrei antigas alunas e alunos, hoje colocados nos serviços públicos e privados da área da educação, a desempenhar e a desenvolver a sua aprendizagem pessoal e profissional.
A iniciativa insere-se na 9ª Semana da Juventude que decorre em Olhão de 15 a 19 de outubro. Para + informações clicar na palavra assinalada na primeira linha.
A iniciativa insere-se na 9ª Semana da Juventude que decorre em Olhão de 15 a 19 de outubro. Para + informações clicar na palavra assinalada na primeira linha.
terça-feira, outubro 09, 2018
As praxes e o poder da academia
Sobre as praxes, e a violência sobre os direitos humanos que ela encarna, já muito se disse, como no último Expresso, nas palavras de Sérgio Sousa Pinto. Também as análises sociológicas mostram o carácter de discriminação, opressão e domínio de poder sobre o outro, por exemplo os ensaios do Centro de Estudos Sociais da universidade de Coimbra.
Sobre este aspecto escreverei mais tarde, mas por agora interessa dizer que a universidade é conivente com esta prática abjecta. A sua tolerância continua a existir porque, mesmo propondo-se alternativas pedagógicas, diretores e docentes apaparicam comissões de praxe não eleitas e estimulam essas práticas, comprando os votos dos estudantes nas eleições para órgãos de gestão.
Voltarei a este aspeto!
(Na foto: estudantes de educação social em atividade de intervenção comunitária na aldeia de Gorjoes na freguesia de Santa Bárbara de Nexe).
quarta-feira, março 21, 2018
Uma escultura literária
(cartaz de Jorge Manhita)
É a terceira escultura que convido o Adão Contreiras a executar. Depois de Um Abraço a Timor (Loulé, 1991) e de As Correntes de Água (Alte, 1995), desta vez O Jornal do Pau (Gorjões, 2018).
A escultura em chapa de aço pretende testemunhar os contributos das memórias coletivas dos gorjonenses, que se sentaram e conviveram no pau de telefone, durante décadas, socializando a economia, a política e a sociedade local.
O trabalho artístico é resultado do projeto de Educação Social de final de licenciatura da Petra Carlos e da Cátia Pereira, alunas que orientei durante três semestres, e legitima bem o caráter de participação social e de inserção comunitária que pautou a sua conduta.
sexta-feira, fevereiro 20, 2015
Funcionários de escolas em greve em Loulé
Contra a política de austeridade e roubo do trabalho, os funcionários não docentes das escolas fizeram hoje greve. A Escola Duarte Pacheco em Loulé (2º e 3º ciclos do EBásico) fechou hoje portas, deixando na rua a comunidade escolar. Há muito tempo que isso não acontecia naquela escola e é muito bom sinal. Para se perceber que a escola não tem funcionários que cheguem para tantos alunos (o rácio deve ser 1 por 200 alunos?), quer seja para apoio às salas de aulas, docentes e corredores, quer seja para recreio, controlo e educação controlada por pares. Para além da falta de funcionários, convém saber que o vencimento médio dos funcionários é de cerca de 500 euros. Por isso há que exigir do governo (e das câmaras, já agora) medidas importantes e decisivas neste assunto.
sexta-feira, outubro 17, 2014
Regresso a Aljezur
Entre o verão de 1982 e o verão de 1984, em diversos períodos de trabalho, estive em Aljezur com uma equipa de etnógrafos e antropólogos, desenvolvendo um estudo sobre a cultura popular local. Essa experiência deu origem a uma exposição - posteriormente transformada noutras - inovadora e estimulante de nóveis abordagns do trabalho científico no campo da museologia.
Recentemente, e apesar de passar lá muitas vezes, estive durante uma semana com os alunos do 1º ano de Educação Social, e outros colegas da Universidade, numa semana de campo de integração e de contacto com a realidade do concelho. Foi bom regressar e perceber as diferenças!
domingo, janeiro 05, 2014
A arte moderna e o facebook
O templo de Diana em Évora, no último dia do ano de 2013, fotografado do interior do Fórum da Fundação Eugénio de Almeida, recentemente reabilitado e da qual se dá conta numa exposição didática a olhar obrigatoriamente pelas escolas de artes (link). O motivo? Uma das melhores exposições interativas dos últimos tempos, da responsabilidade da Coleção do ZKM de Karlsruhe, a mostrar que as novas tecnologias e a interatividade entre ciência e humanos é antiga e não foi criada pelo 'Face'. Obrigatória.
terça-feira, novembro 19, 2013
Em defesa do ensino superior
Finalmente os estudantes vieram para a rua. Em Lisboa são mais de 1500, em protesto contra os cortes no ensino superior: nas bolsas, nas cantinas, no pagamento a professores convidados decisivos para muitos cursos. No mesmo dia em que o presidente do CRUP (Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas) se demitiu e em que se espera a mesma decisão do presidente do Conselho Coordenador dos Politécnicos, reunido neste momento.
Durante a semana também a FENPROF organiza protestos de luto e de luta contra os cortes do orçamento austeritário do estado, que destroem o ensino superior.
Entretanto o ministério de Crato continuado calado.
quarta-feira, novembro 13, 2013
Vox populi #2
Fizeram
luta na fábrica?
Como não dávamos na fábrica, começamos a ir ao escritório, buscar os vales, naquela altura era em contos, era 10 contos, era 15 contos, era aquilo que eles pudessem dar. Lembro-me também que eu aleijei-me no trabalho e naquela altura ninguém conseguia fazer nada. Fizemos lá um levantamento, eu fiz lá um barulho, um barulho desgraçado e naquele dia houve dinheiro para toda a gente. «Se há dinheiro para os empregados de escritório também há dinheiro para quem está a trabalhar». E naquele dia houve dinheiro. Foi pouco, mas houve dinheiro para toda a gente, tudo igual.
Alda, pseudónimo da entrevistada nº 5, 2 julho 2010
Trabalho de campo do doutoramento
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quarta-feira, novembro 06, 2013
Vox Populi #1
Nada, nem os nossos pedreiros podem trabalhar, porque vêm os lá de fora trabalhar e os nossos ficam sem trabalho e quem quer ganhar algum tem de fugir daqui para fora e se agora não temos dinheiro para um litro não se compra metade de meio litro porque não há, se não tem dinheiro para um quilo não se compra meio quilo ou 250 porque não há e lá no outro tempo havia 5 tostões disto, 5 tostões daquilo e íamos acumulando e agora não, ou se tem para comprar muito ou não se come e fala-se à vontade é verdade mas cada vez espezinham a gente mais, é mentira ou é verdade? Ouvem por qui e sai por qui, aldrabões até dizer chega, num dia dão um discurso, no outro dia a conversa já não é assim é de outra maneira e eu já fecho a televisão para não me irritar…
Armanda, pseudónimo da Entrevistada 6, 23 junho 2010
Trabalho de campo do doutoramento
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segunda-feira, novembro 04, 2013
A economia-casino
Ontem, procurando vídeos sobre economia para apoiar o estudo reflexivo do meu filho mais velho, demos com um vídeo do Movimento Zeitgeist sobre as razões do colapso financeiro em toda a Europa. Vale a pena ver, a desmontagem crua mas pedagógica que o texto e as imagens fazem do capitalismo financeiro que nos governa e que nos querem fazer crer como inevitável e inexorável. Talvez fosse bom que os professores de economia começassem a vê-lo e a mostrá-lo nas escolas, para que a nova fornada de economistas não se limitem a ser os novos macacos do início do filme, mas se tornem pessoas reflexivas e justas (ver aqui).
domingo, novembro 03, 2013
Em defesa da escola pública
A propósito da manifestação de protesto dos alunos e das alunas da Escola Secundária João de Deus em Faro, o João Martins sugere o uso mais justo de dinheiros do orçamento da Câmara de Loulé para as obras da Escola Secundária de Loulé, ao invés de gastos culturalmente supérfluos. Tem toda a razão. A Câmara deve dispor-se a defender a escola pública, tal como enunciado pelo seu presidente na tomada de posse, e deve exigir do atual governo que termine as obras necessárias ao funcionamento da escola. E pode começar por mostrar como se faz, fazendo uma vistoria às suas instalações.
sábado, setembro 28, 2013
Em defesa da escola pública
Depois de uma semana de luta, quase sempre sozinho e com o apoio de amigos, o João Eduardo Martins conseguiu com a sua luta inovadora e combativa que a Direção Geral de Estabelecimentos Escolares cumprisse a lei e a pedagogia que se exige na escola pública: colocar o seu filho na turma do 3º ano e não no caldeirão produzido pelos mecanismos discriminatórios do ministério de Crato. Todavia, a direção do Agrupamento de Escolas Padre Cabanita não cumpre o que lhe é devido. E o João lá continua, ao frio e à chuva com a solidariedade de amigos, a sua luta contra a desfaçatez e aquilo que por detrás ainda pouca gente vê: a destruição da escola pública e o reforço do analfabetismo cidadão. Mais um passo da lógica do poder do capitalismo austeritário para matar a resistência popular.
quarta-feira, novembro 14, 2012
A educação em Portugal
Helena Garrido, diretora-adjunta do Jornal de Negócios, escreve os editoriais do jornal. É portanto uma editora. No passado dia 13 dedicou-o a "Ângela Merkel e a maioria silenciosa". A chanceler é assim a grande gestora do desenvolvimento das empresas alemãs em Portugal e a maioria silenciosa são aqueles que não se manifestam contra a política do eixo franco-alemão (agora mais germânico do que francófono). Merkel e a maioria silenciosa vieram dar uma lição a Portugal: a de que é preciso mais qualificação e formação. E isso só vai com o 'sistema dual' que Portugal importou da Alemanha, a única forma de "corrigir os erros que foram sendo cometidos na educação em Portugal". Ora aqui é que bate o ponto e vale a pena perguntar: o que sabe esta senhora da educação em Portugal? Aceita-se que pode ter opinião, mas que a deve explicitar, o que não faz. Como jornalista deveria perceber isso! Bem diz Pacheco: os jornalistas, em vez de darem notícias, são cada vez mais opinadores de quase tudo. E de muita coisa sabem quase nada.
sábado, outubro 20, 2012
Uma criança em Quarteira: o elo mais frágil
Privar uma criança do pré-escolar de almoçar, foi a atitude arrogante e discriminatória da diretora do Agrupamento de Escolas Dra. Laura Ayres de Quarteira. A professora pode alegar todas as desculpas burocráticas sobre pagamentos e pode escudar-se no comunicado corporativo de docentes e funcionários, que nada retira a uma simples conclusão: vingou-se da precariedade financeira ou social dos pais penalizando uma criança a leite e sandes. O austeritarismo neofascista do governo PSD/CDS não só está a criar desespero nos trabalhadores. Pior que isso! Está a transformar a escola num espaço de vigilância e penalização dos mais fracos, fazendo-a abandonar os seus clássicos valores humanistas de solidariedade, ética e inclusão social. E está a transformar os diretores de escola em meros gestores do défice democrático da sociedade e do seu direito à escola pública.
sexta-feira, abril 13, 2012
Nuno Crato pensa 'eduquês'
O Ministério da Educação e Ciência (ah MECo) impôs, para o próximo ano letivo, um número máximo de 30 alunos por turma nos 2º e 3º ciclos e no secundário. O 'economismo' dita as regras, que vão refletir-se no desemprego de mais professores e numa pedagogia de afastamento dos alunos e da construção de conhecimento conjunto, entre todos os atores educativos. Como se verifica o ministro que antes, como investigador e divulgador de ciência, tanto criticava o 'eduquês', pensa e decide agora na sua forma mais reles.
quinta-feira, janeiro 26, 2012
Atraso 1
Na reunião que o ministro da educação realizou com os conselhos de escola e diretores de agrupamentos, em Faro, os professores de EVT - Educação Visual e Tecnológica- manifestaram o seu desagrado à proposta de acabar com a disciplina no currículo do ensino básico, com faixas colocadas à porta do edifício onde decorreu a reunião. A cidadania constrói-se com pequenas participações de rua.
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