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quarta-feira, novembro 13, 2013

Vox populi #2


Fizeram luta na fábrica?
Como não dávamos na fábrica, começamos a ir ao escritório, buscar os vales, naquela altura era em contos, era 10 contos, era 15 contos, era aquilo que eles pudessem dar. Lembro-me também que eu aleijei-me no trabalho e naquela altura ninguém conseguia fazer nada. Fizemos lá um levantamento, eu fiz lá um barulho, um barulho desgraçado e naquele dia houve dinheiro para toda a gente. «Se há dinheiro para os empregados de escritório também há dinheiro para quem está a trabalhar». E naquele dia houve dinheiro. Foi pouco, mas houve dinheiro para toda a gente, tudo igual.
Alda, pseudónimo da entrevistada nº 5, 2 julho 2010
Trabalho de campo do doutoramento

domingo, novembro 10, 2013

100 anos de Cunhal

Devo dizer que Cunhal e o PCP nunca me atraíram por aí além. Aliás, a maior parte das vezes encontrei o PCP na barricada contrária. O facto de ter nascido numa cidade operária, onde o peso histórico dos anarquistas era tão ou mais forte do que o do PCP, levou-me para caminhos juvenis de militância mais radical. De Cunhal li com interesse o Rumo à Vitória, para conhecer as suas ideias sobre a 'revolução democrático-nacional' (tenho uma edição de junho de 1974). E mais tarde, em 1978, li com muito gosto o Até Amanhã Camaradas, de Manuel Tiago, que toda a gente desconfiava ser de um Cunhal mais jovem e romântico, como todos e todas pensávamos poder vir a ser. Mas a única maneira mesmo de combatermos as suas ideias é conhecê-las. Por isso vou ali ver a entrevista de Pacheco Pereira sobre o tema e já volto.

para que servem as estatísticas?

A resposta seria: para enganar os incautos! Marinús Pires de Lima, precursor da Sociologia em Portugal, caía em cima das análise estatísticas revelando a sua pouca fiabilidade sociológica. Um amigo meu, advogado e escritor, escreveu numa das suas crónicas que abominava o facto de dizerem que ele comia 5 frangos por ano, quando ele não gosta mesmo nada do galináceo. As estatísticas de emprego e desemprego também servem para o governo aldrabar os incautos. Com os dados do desemprego a descer no 3º trimestre de 2013, o jovem ministro do emprego vem falar-nos de milagre económico. O que sabemos é que o 3º trimestre (julho, agosto e setembro) viveu do verão turístico e dos seus complementos. Deixem lá chegar os dados do 4º trimestre para vermos onde vai parar a curva do desemprego. Aliás, bastou ver na televisão a vergonha dos serviços do centro de emprego de Portimão - com filas desesperadas dias a fio na semana que passou - de desempregados a tentar a sua rápida inscrição, para percebermos onde está a ideologia (sim, a ideologia) deste governo de direita austeritária.

quarta-feira, novembro 06, 2013

Vox Populi #1



Nada, nem os nossos pedreiros podem trabalhar, porque vêm os lá de fora trabalhar e os nossos ficam sem trabalho e quem quer ganhar algum tem de fugir daqui para fora e se agora não temos dinheiro para um litro não se compra metade de meio litro porque não há, se não tem dinheiro para um quilo não se compra meio quilo ou 250 porque não há e lá no outro tempo havia 5 tostões disto, 5 tostões daquilo e íamos acumulando e agora não, ou se tem para comprar muito ou não se come e fala-se à vontade é verdade mas cada vez espezinham a gente mais, é mentira ou é verdade? Ouvem por qui e sai por qui, aldrabões até dizer chega, num dia dão um discurso, no outro dia a conversa já não é assim é de outra maneira e eu já fecho a televisão para não me irritar…
 Armanda, pseudónimo da Entrevistada 6, 23 junho 2010
 Trabalho de campo do doutoramento


segunda-feira, novembro 04, 2013

A economia-casino

Ontem, procurando vídeos sobre economia para apoiar o estudo reflexivo do meu filho mais velho, demos com um vídeo do Movimento Zeitgeist sobre as razões do colapso financeiro em toda a Europa. Vale a pena ver, a desmontagem crua  mas pedagógica que o texto e as imagens fazem do capitalismo financeiro que nos governa e que nos querem fazer crer como inevitável e inexorável. Talvez fosse bom que os professores de economia começassem a vê-lo e a mostrá-lo nas escolas, para que a nova fornada de economistas não se limitem a ser os novos macacos do início do filme, mas se tornem pessoas reflexivas e justas (ver aqui).

sábado, setembro 28, 2013

Em defesa da escola pública

Depois de uma semana de luta, quase sempre sozinho e com o apoio de amigos, o João Eduardo Martins conseguiu com a sua luta inovadora e combativa que a Direção Geral de Estabelecimentos Escolares cumprisse a lei e a pedagogia que se exige na escola pública: colocar o seu filho na turma do 3º ano e não no caldeirão produzido pelos mecanismos discriminatórios do ministério de Crato. Todavia, a direção do Agrupamento de Escolas Padre Cabanita não cumpre o que lhe é devido. E o João lá continua, ao frio e à chuva com a solidariedade de amigos, a sua luta contra a desfaçatez e aquilo que por detrás ainda pouca gente vê: a destruição da escola pública e o reforço do analfabetismo cidadão. Mais um passo da lógica do poder do capitalismo austeritário para matar a resistência popular.

domingo, agosto 04, 2013

Aqui é que bate o ponto

Aqui está algo que gostaria de ter escrito, quando penso que não vale a pena querermos empurrar secretários de estado aldrabões para a rua, quando o problema da corrupção instalada no governo servidor do capital financeiro, com swaps, ações do BPN, vivendas na Coelha, é exatamente este, o de servir apenas o capitalismo internacional, entendem?

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Um núncio pouco apostólico

Em tempos tinha escrito aqui que o tirocínio de Francisco José Viegas nos corredores escuros do governo PSD/CDS tinha sido para esquecer. Viegas aprisionou a sua escrita, determinação e crítica nos passos e nas portas perdidas, até que resolveu voltar a casa. E passado algum tempo de nojo, aí está a escrita desassombrada, vernacular e merecida, desta vez contra 'o absurdo do estado'. Do governo, direi eu. 
Uma pequena pérola lançada aos porcos:
«terei de lhe pedir para ir tomar no cu, ou, em alternativa, que peça a minha detenção por desobediência»
Mas vale a pena ler tudo na origem.

domingo, outubro 21, 2012

Platão e a atualidade

A procurar alguns livros de filosofia para os estudos do meu filho mais velho, encontro uma nota da filosofia de Platão cheia de 'actualidade'. Aliás, foi essa a expressão que escrevi na margem direita da página 75 do livro «A Filosofia de Platão a São Tomás de Aquino» de François Chatelêt, da Dom Quixote e que comprei em 1986. Diz o texto de Platão: "O apetite de prazer será tal que os primeiros [o filósofo refere-se aos ricos, descendentes de guerreiros e conquistadores] farão alarde, de maneira cada vez mais ostensiva, do seu poder, enquanto os segundos mergulharão cada vez mais fundo, na baixeza da sua condição; até ao momento em que o povo, farto de miséria e de sofrimento, se revoltará e, triunfando dos governantes enfraquecidos pelos prazeres, procederá anarquicamente, à partilha dos bens". O que é que esperamos?

quarta-feira, outubro 03, 2012

Olha o PS tão respeitável!

É confrangedor ver e ouvir os deputados e dirigentes do PS (Lello, Junqueiro, Assis) encherem  a boca de 'verdade', 'responsabilidade' e outras aldrabices politicamente corretas, para defender a abstenção na votação das moções de censura contra o governo, apresentadas pelo BE e PCP. Os homens, acham que por terem fato e gravata e um ar respeitável, que os media aconselham, podem legitimar-se como homens de bem, demarcando-se de uma esquerda radical, extrema, etc. Nós lembramo-nos bem do que foi a responsabilidade do governo PS na anterior legislatura e do contributo que deu para a austeridade que afunda o povo e o país. O PS sabe que ninguém acredita nele para governar e por isso não quer saber da queda do governo austeritário do PSD/CDS que mais tarde ou mais cedo lhe pode cair no regaço.

quarta-feira, junho 27, 2012

O ministro não sabe nadar, io!

A frase expressa bem de quem se fala. A palavra "economia" deve referir-se duplamente a um ministro e à atividade do trabalho remunerado que gera rendimentos. Carrasco, quer dizer algoz, aquele que destroi, enterra ou elimina, neste caso do Algarve, a sua economia. A imagem denuncia também o tempo de pré-apocalipse da construção, sobretudo quando se trata de um edifício nas margens de uma associação empresarial. Ali mesmo, onde o ministro da economia do governo proto-fascista do PSD/CDS vinha por "Portugal a Crescer". O ministro não veio, fugiu da populaça arruaceira, que tinha uma boia para lhe oferecer. Só uma coisa não sabemos: se o ministro sabe nadar!

terça-feira, maio 01, 2012

Pingo Doce provoca conflitos

O Pingo Doce, cadeia de supermercados propriedade da família mais rica de Portugal, decidiu abrir as suas lojas no dia 1 de maio, feriado e dia do trabalhador, contrariando a lei, tal como fizeram todas as restantes cadeias capitalistas, catedrais de consumo. Provando a sua manha capitalista promoveu descontos de 50% para quem adquirisse mais de 100 euros em produtos. O povo consumidor, já perdido de referências políticas e sociais lá foi, com dificuldade, fazer compras e discutir lugares nas bichas dos supermercados, levado pela tentação consumista. Resultados: para além de reprimir os seus trabalhadores nos direitos de descanso, o patrão 'dos Santos', quis escravizá-los ainda mais, com trabalho forçado a alimentar o consumismo capitalista.
Ver vídeo TVI (link).

terça-feira, abril 24, 2012

Mudam as moscas mas a merda continua!



Há anos que a RTP2 apresenta, durante todo o dia 25 de abril, o Dia D, um conjunto de documentários de temática social. Na madrugada deste ano, por volta das 01:30 ou 02:00h, é apresentado o doc "Os donos de Portugal", realização de Jorge Costa baseado no livro homónimo de deputados do Bloco de Esquerda. O filme mostra como os grandes capitalistas ou as suas redes de compadrio dominam Portugal desde há muito, através de um jogo de benesses entre o estado e os grandes monopólios, cruzando 'estado novo' e democracia.
Como dizia o poeta: "Mudam as moscas, mas a merda continua!".

segunda-feira, abril 02, 2012

Quinta da Ombria sempre na umbria

Pilotos de ralis e especulação imobiliária ficam bem de mãos dadas. Olhem para Markku Alen e a Quinta da Ombria em Querença: o piloto esteve lá a promover o que acha que é a beleza do interior do Algarve. Claro! Ele tem dinheiro para escolher um dos 200 quartos que o empreendimento há 20 anos pretende construir em cima do aquífero mais importante da região. Não, parece que não. Segundo o artigo de Idálio Revez no Público de 31 março, a empresa reduziu para metade, portanto 100, os quartos a que Alen pode aceder. Nós não podemos.

terça-feira, março 20, 2012

Auditaremos a dívida?


A ideia central de auditar a dívida por via da cidadania tem dois pressupostos principais: i) saber o que da dívida soberana do estado português é fatia pública, separada da fatia privada; desconfia toda a gente que a principal dívida é privada, onerada pelo sistema bancário. E ii) colocar nas mãos e na cabeça dos cidadãos e das cidadãs a discussão de um problema central na vida económica e social de todos nós. Sexta, dia 23, no Pátio de Letras em Faro é isto que se prepara.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

A verdadeira tropa fandanga

(Foto HFR-telemóvel, Lx, outubro 2011)

O que fazer com 'esta massa de jovens precários e desempregados que o capitalismo financeiro não quer?' Perguntava, de outra forma, o profeta residente da democracia totalitária e financeira Medina Carreira. Enquanto a criatividade não se vir obrigada a emigrar teremos "a imaginação ao poder" um dia destes, diremos nós!

domingo, dezembro 25, 2011

O conceito de desobediência civil #4

O conceito de desobediência civil, consagrado na nossa lei fundamental, herda muito da linha humanista e reformista da constituição americana. Thoreau sempre olhou esse princípio como um meio ativo de participação das minorias no exercício dos seus direitos. Dizia ele, nos idos de 1848:
Votar não é só meter na urna um bocado de papel, há que tornar o voto plenamente eficaz. Uma minoria fica desarmada quando se conforma com a maioria; deixa afinal de ser minoria. Mas torna-se irresistível quando exerce pressão com todo o seu peso. Se a alternativa for meter todos os justos na prisão ou acabar com a guerra e a escravatura nenhum Estado hesitará na escolha... (p. 32)

segunda-feira, dezembro 19, 2011

O conceito de desobediência civil #1

Parece ser necessário começarmos a chamar os bois pelos nomes, e a desmascarar aqueles santinhos que querem perpetuar a ditadura dita democrática sobre a maioria popular. Melhor do que eu, aquele que inspirou Gandhi e Luther King, entre outros, um senhor chamado Henry David Thoreau, explica nesse célebre livro chamado exatamente «A Desobediência Civil», escrito em 1848:
Ao fim e ao cabo, a razão prática pela qual, tendo o povo o poder na mão, o entrega a uma maioria, que o conserva durante um longo período, não é porque essa maioria tenha razão, ou porque a minoria o considere justo, mas só porque a maioria dispõe de muita força. Mas um governo em que domina sempre a maioria não pode basear-se na justiça, tal como os homens a entendem. (p.17)
[Ler+ ali no sidebar clicando sobre a imagem da capa da edição da Antígona].

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Edital da casa

O correr dos dias não nos deixa tempo, vontade, paciência e outras qualidades, para aqui estarmos, com a regularidade que gostaria, junto de vós. O trabalho da CUVI - claro que entre tudo o que nos puxa o corpo, a palavra e a voz - está a tornar-se intenso, o que só significa que a nossa luta de mais de 15 meses está a tornar-se um dos maiores exemplos de movimento social há muito tempo desconhecidos no Algarve. Por isso, para além do que vou aqui deixando "na espuma dos dias", para todos os amigos e amigas que queiram acompanhar o combate do Algarve contra a cobrança das taxas de portagem na Via do Infante deixo à disposição a página FaceBook da CUVI, Comissão de Utentes da Via do Infante. Vão lá, expressem a vossa opinião, participem e reforcem a cidadania de que o país está deficitário. E voltem cá sempre que quiserem!