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quarta-feira, dezembro 11, 2019

José Lopes

José Lopes tinha menos dois anos do que eu. Morreu na rua, de tristeza e de miséria. Tinha sido ator e colaborador da extinta Cornucópia, o projeto de teatro excecional de Luís Miguel Cintra. O blogue de Eduardo Pitta, pergunta: ler aqui!

sexta-feira, janeiro 04, 2019

Arte de vanguarda e povo rural

Tal como tinha referido em post anterior [aqui], escrevi um pequeno ensaio sobre o tema da incomunicação entre artistas de vanguarda e povo rural, publicado no último número do Jornal Ecos da Serra, de Alte (novembro-dezembro 2018), que pode ser lido em papel:



A ARTE E AS COMUNIDADES RURAIS. 
O CASO DA INSTALAÇÃO ARTÍSTICA DE DANIEL VIEIRA NA ALDEIA DE ALTE

Em estudo realizado sobre as Bienais de Arte de Vila Nova de Cerveira, a socióloga Idalina Conde, num texto já clássico de 1987, fala da dissonância entre arte de vanguarda (arte moderna) e o público com o qual se comunica. Um dos conceitos fundamentais, presente nesta relação entre o artista e o público, é o da «incomunicação», dado que a arte erudita de vanguarda não é recebida por um público sem disposição estética para apreciar uma prática artística, que é uma imposição aos seus hábitos e práticas culturais.
Ora, a propósito da instalação das obras de arte do artista plástico Daniel Vieira, transformadas pela artista Renata Pawelec, e colocadas nas paredes das casas da aldeia de Alte, no concelho de Loulé, é interessante colocar algumas notas:
i) Daniel Vieira é um artista plástico consagrado, e aceite consensualmente na área da pintura e da serigrafia nacionais. Outra coisa é quando as suas obras são simuladas como baixos relevos por outra artista. Não há nada de mal neste trabalho em conjunto, mas essa situação deve ser explicada, sobretudo quando o artista expõe no espaço público;
ii) É exatamente este aspeto que se deve considerar. Quando se passa do espaço privado (a oficina ou a galeria do artista) para o espaço público (a rua), a arte assume outra dimensão e a responsabilidade atinge toda a comunidade, já que estamos no domínio do público, das gentes que habitam a aldeia e, por isso, esse público tem o poder de se auto-excluir, ou de criticar;
iii) Outro aspeto relaciona-se com o momento expositivo da arte. Quando esta se expõe de forma efémera, quer dizer, instala-se durante algum tempo, sabemos que o seu impacto visual e social é menor. Quando, pelo contrário, a arte é colocada como elemento permanente, o seu peso é tão grande quanto uma casa, uma chaminé, um museu, e assim ela passa a constituir um elemento arquitetónico da aldeia;
iv) Ora, é justamente este ponto que nos deve preocupar. As instalações colocadas nas ruas da aldeia de Alte, tornam-se mais um elemento de impacto e de estímulo visual, tal como a arquitetura, a iluminação, o trânsito, as pessoas, etc. O excesso de elementos visuais, tal como os escritos, não são benéficos para o usufruto cultural e podem tornar-se naquilo que Conde diz ser uma imposição de novos hábitos culturais, que criam tensão e violência simbólica. Como exemplo, temos o painel colocado na Rua dos Pisadoiros, rua que já tem dois painéis de azulejo sobre o tema local do esparto.
v) Que fazer, então, perante este desentendimento entre artistas e públicos?
Uma das metodologias (a maneira de fazer) usadas pelos artistas, é aquilo a que se chama a «arte participada», um espaço coletivo e comum de compromisso social compartilhado por artistas e público, em que este é parte indispensável do processo criativo. Lembro que, aquando da 1ª Semana das Artes e Culturas, em 1995, as três manifestações artísticas realizadas em Alte, obedeceram a este princípio. Como exemplo, a escultura de pedra de Afonso Rocha, foi trabalhada por algumas pessoas da aldeia; a própria pedra calcária, em que assenta o acordeão, foi encontrada e trazida por populares para a instalar no Largo José Cavaco Vieira.
vi) Finalmente, a arte encontra hoje na educação o seu parceiro fundamental. As manifestações artísticas, sejam eruditas ou populares, devem ter uma componente educacional. Os jovens estudantes de turismo da Escola Profissional podem fazer presépios com as artesãs da Torre, porque aprendem cultura local. Também os populares podem ser artistas plásticos por um dia.
Assim, as obras de arte instaladas na aldeia deveriam ter a discussão e a participação mais passiva ou mais ativa da comunidade local, porque é ela também a detentora do espaço público onde vive.
(investigador do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa)

terça-feira, novembro 20, 2018

Artistas e povo

 (trabalho de Renata Pawelee, instalado na casa de Daniel Vieira)

Os baixos-relevos que a escultora Renata Pawelee criou, a partir de obras de Daniel Vieira, e instalou nas ruas da aldeia de Alte, no Algarve, parece estarem a gerar alguma controvérsia entre a população, como é hábito na determinante incomunicação, categoria conhecida no diferendo entre artistas e povo. Voltarei a este tema, em breve, com um pequeno ensaio.

domingo, janeiro 05, 2014

A arte moderna e o facebook

O templo de Diana em Évora, no último dia do ano de 2013, fotografado do interior do Fórum da Fundação Eugénio de Almeida, recentemente reabilitado e da qual se dá conta numa exposição didática a olhar obrigatoriamente pelas escolas de artes (link). O motivo? Uma das melhores exposições interativas dos últimos tempos, da responsabilidade da Coleção do ZKM de  Karlsruhe, a mostrar que as novas tecnologias e a interatividade entre ciência e humanos é antiga e não foi criada pelo 'Face'. Obrigatória.

quarta-feira, novembro 13, 2013

O etnocentrismo turístico


Dei com o documentário, por acaso, no canal Odisseia. Solenn Bardet, geógrafa e etnóloga francesa, filha adotiva do povo Himba, do norte da Namíbia, fez um filme desenhado e participado pela comunidade local-Les Himbas Font Leur Cinema (um pequeno trailer pode ser visto no vimeo: linque). A autora está lá, dentro do filme, fazendo jus ao chamado 'cinema verdade', sem se esconder por detrás da câmara, mostrando que a fição é apenas uma leitura da realidade. Um dos momentos marcantes e críticos do filme, é quando os membros da aldeia se vestem e pintam de turistas e representam a intrusão na aldeia, apropriando-se da cultura de forma mercantil e na base de um etnocentrismo turístico patente em todo o mundo. Solenn explica no vídeo abaixo o que é para ela o anti-documentário. Excelente.


sábado, dezembro 15, 2012

Desenhar à volta do mundo

Os desenhos são de uma beleza pura, rotring e aguarela esmaecida no moleskine. Vale a pena vê-los, um a um ao longo da Europa, no projeto mestiço de saberes de Luís Simões. Belo, é dizer pouco.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

Artes e Culturas em Alte

O Adão recorda as velhas Semanas das Artes e Culturas que dirigi, em Alte, nos anos 90, em conjunto com o amigo Daniel Vieira (link). Em particular a 1ª Semana, realizada em 1995, para a qual convidei vários artistas plásticos, caso do Adão Contreiras, do Vitor Picanço Mestre (que concebeu a "Árvore da Sabedoria", instalada na Escola Profissional de Alte) e do Afonso Rocha (que executou "A simbologia do acórdeão", colocado no largo principal da aldeia).

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Natal Greed


Oferta de Natal de José Carlos Fernandes publicada na «chiquérrima revista "Fora de Série", suplemento do "Semanário Económico", para uma rubrica destinada a mostrar 6 visões da Árvore de Natal».

domingo, outubro 05, 2008

A ver em Loulé

O Almeida já tinha chamado a atenção para ela e, ontem, dei uma vista de olhos pela exposição do Bota Filipe ali na Galeria Espírito Santo, em Loulé. Portas recuperadas e transformadas em objectos decorativos, apenas para o prazer do olhar, ou trocadas por espelhos, onde mirámos o nosso desprezo ecológico pela madeira, pela casa, pela identidade. Algures no lugar destas portas estará a modernidade do alumínio frio e higiénico, porta-estandarte da transformação do mundo rural.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Ao sul

Ora aqui está uma excelente notícia.

sábado, dezembro 15, 2007

Créditos

Deixem-me dizer-vos que o desenho, ali à direita, é da autoria de Adão Contreiras. Ele fê-lo na tasca Molhó Bico em Serpa, em 1993. Há que tempos hem?

quinta-feira, novembro 08, 2007

Desenhos de viagem (C)


A ver, os desenhos ("fotografias de viagem") de José Carlos Barros.

sábado, outubro 13, 2007

13

O 13 de Outubro na Casa de Cacela: amarelos e vermelhos outonais. Não perca.

quarta-feira, julho 11, 2007

Seeing voices



O Artur Ribeiro, cineasta de Loulé, mas mais novaiorquino, prepara um projecto interessante. Vejam o diário de bordo [visto aqui]

segunda-feira, junho 25, 2007

Memórias do Algarve

As memórias são um excelente instrumento de reflexão sobre a nossa história. O interessante nelas, é que a sua construção e difusão se faz de forma partilhada e, por isso, elas só têm sentido se inscritas num quadro de referência social específico. Cada lugar tem as suas memórias e é bom colocá-las perante o olhar dos outros. Vem isto a propósito de dois pequenos filmes: um sobre o trabalho e o lazer numa quinta agrícola das hortas litorais do Algarve; e outro sobre a prática dos banhos de mar nos quentes verões do Algarve. Ambos foram captados pelo eng. agrónomo Salema de Azevedo, no seio da família da Quinta de Bela Mandil, junto a Olhão e mostram algumas práticas económicas, sociais e educativas da burguesia rural de meados do século passado. São excelentes documentos de época, já com um grande sentido estético e cinematográfico. A montagem de APC ajudou bastante. Ver aqui.

domingo, junho 24, 2007

Max Aub

Era um barbeiro competente, que nunca tinha ferido ninguém. Mas, naquele dia, as borbulhas do cliente de barba pouco espessa revolveram-lhe as tripas. Revolveu escanhoar a barba à volta da primeira borbulha que viu. Mas, na segunda não resistiu. Golpeou-a e, depois, levado por um frenesi maléfico cortou a cabeça do homem.
Max Aub, nos "Crimes exemplares", em adaptação livre, lido no banco de jardim entre os livros do continente do Belmiro, em Albufeira.

domingo, junho 17, 2007

Rivolução II

Ainda a propósito do que disse aqui, é conveniente ler o post de TBR sobre a governança de Rui Rio na Câmara do Porto, particularmente na área cultural. O Teatro Rivoli é, dessa governança, um exemplo paradigmático.

Um graffitti que não mente

Ver aqui um belo graffitti, de Lisboa, um dos moinhos de vento de Telmo Correia, candidato à Câmara da cidade.

sábado, junho 16, 2007

Graffitis

Contributo para a campanha populista de Telmo Correia, do CDS/PP, à Câmara de Lisboa.