terça-feira, dezembro 04, 2018

Agustina, os comboios e eu



A propósito de uma viagem de comboio, Pedro Mexia (Expresso de 24 de novembro) fala do livro de Agustina «As Estações da Vida», que sendo sobre os painéis de azulejos das estações, é sobretudo sobre a viagem. Das recordações de viagens de comboio lembro os dois anos em que estudei em Silves, quando os assentos de pau não fazim mossa nos corpos juvenis, habituados ao tempo das descobertas da sexualidade, da boémia e da vadiagem. Por isso foram dois anos e não um, como deveria ser até ao acesso ao liceu de Portimão, onde vivia. Também foi numa dessas automotoras que a Pide, nos vigiou e seguiu, após alguns discursos intrusivos e críticos do regime. Falo disto no conto ‘Trinta Anos Depois’, escrito aquando das comemorações dos 30 anos do 25 de Abril e publicado na revista Bestiário (agora apenas editora; mas o conto pode ser lido em breve nos meus arquivos).
Há uns anos, a pedido dos meus filhos que só conheciam as viagens de automóvel, viajamos de comboio entre Loulé e Faro, olhando com tempo as paisagens ainda rurais da passagem do trem. Nessa viagem, o revisor deixou um bilhete autografado como recordação aos miúdos, deixando também parte da sua alma de viajante.